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Nossa roupa de algodão convencional gera a maior onda de suicídio do mundo

Esse post faz parte da tag #modaconsciente e nele vou falar sobre um assunto um pouco diferente do que eu costumo abordar aqui no blog, mas preciso falar sobre ele porque é extremamente importante para ajudá-lo a entender o quanto a indústria da moda atual está optando pelo lucro excessivo acima de tudo. Vou falar um pouco sobre o impacto que geramos quando compramos roupas feitas de algodão convencional. Espero que esse post te influencie de alguma forma quando você puder escolher a matéria prima das suas peças.

algodão orgânico

Com a indústria do fast fashion a demanda por peças e consequentemente por materiais aumentou significamente. Um desses materiais é o algodão, que representa cerca de 28% da matéria prima mundial usada na produção de tecidos e é a fibra natural mais produzida no mundo. Segundo o The True Cost – documentário que recomendei nesse post – a produção dessa matéria prima causa uma infinidade de problemas. Na verdade isso acontece por causa de uma série de escolhas ruins, como o uso de semente transgênica, muitos agrotóxicos e a falta de cuidado das espécies nativas do local de produção.

O monopólio dessas sementes e dos agrotóxicos por multinacionais como a Monsanto causa endividamento de produtores. Nos últimos 16 anos, foram registrados mais de 250 mil suicídios de fazendeiros na índia. É quase 1 morte a cada 30 minutos, e este é o maior recorde de onda de suicídio da história.

algodão

Vou explicar como isso acontece:

O algodão bt é um tipo de semente transgênica que é monopolizada por empresas de sementes e agrotóxicos. A maior delas é a Monsanto, que já citei – ela é a maior corporação de sementes e químicos da história. Essas sementes foram criadas para serem mais resistentes às pragas e suportarem os agrotóxicos. O problema é que elas são patenteadas e chegam a custar 17.000% a mais que uma semente não transgênica. Claro que com o uso delas a produção, assim como o preço da semente, aumenta. Mas a promessa de controle da pragas muitas vezes não é cumprida, e há a necessidade de usar inseticidas – normalmente vendidos pela mesma empresa – que deterioram o solo e fazem a produção cair. O fazendeiro acaba se endividando. E chega o momento que os agentes dessas empresas chegam nele e dizem algo como: “Você me deve isso. Você não me pagou. Agora a sua terra é minha”. Nesse dia ele vai até a sua plantação, toma uma garrafa de pesticida e morre. Como eu já disse, esse é o maior recorde de onda de suicídio da história, e acontece principalmente em Punjab, um estado indiano no qual a ocupação econômica principal é a agricultura. Isso acontece não só com a produção de algodão, mas também com a de outros grãos. Esses dados foram retirados do documentário The True Cost

al9 cópia 2

Isso que eu citei é apenas um dos problemas que o uso de transgênicos e agrotóxicos causam. Não cheguei a citar a infinidade de problemas ao meio ambiente, à população que vive ao redor das lavouras e também a nós consumidores que colocamos essa fibra em contato direto com a nossa pele.

Uma boa notícia é que de acordo com a Organicsnet, a H&M vem usando menos algodão convencional nas suas peças e pretende usar somente o algodão orgânico e sustentável até 2020.

#goorganic

Infelizmente não é tão fácil encontrar marcas que usam o algodão orgânico sabendo que apenas 1% da fibra produzida no Brasil é livre de agrotóxico, mas encontrei algumas opções:

Flavia Aranha, para roupas femininas.

Keep, para tênis – que além de orgânicos são veganos.

Natures Pures, para roupas de bebês.

Bambusa, para moda íntima.

Peço que se souberem de mais marcas, indiquem nos comentários. Clique aqui para ler mais sobre #modaconsiente!

 

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