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#modaconsciente: O que é o Fashion Revolution?

Continuando a tag que comecei na semana passada, hoje vou falar sobre o movimento que me fez refletir melhor sobre a minha forma de consumir moda e me fez ficar curiosa sobre esses problemas, procurá-los e deixar de ser ignorante sobre o assunto.

Se você alguma vez na vida comprou uma peça de roupa, esse post é pra você.

No começo do ano, em abril, fui convidada  participar do Fashion Revolution Day, um evento global criado para debater um dos maiores problemas da indústria da moda: a escravidão e a semi escravidão. Confesso que antes desse evento eu já tinha lido sobre esse problema, mas eu não sabia que era tão comum e ele parecia muito longe da minha realidade. E aposto que muitos nem se importam muito com isso pelo mesmo motivo. Realmente parece muito longe de mim e de você, mas depois deste post eu espero mudar a sua opinião e a importância que você dá ao assunto.

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O que é?

O Fashion Revolution é um movimento que começou em Londres após o desabamento de um prédio chamado Rana Plaza em Dhaka, Bangladesh. Nesse desabamento, que já era previsto pelas rachaduras aparentes do prédio, morreram mais de 1100 pessoas – em sua maioria mulheres – que trabalhavam confeccionando roupas para as grandes marcas de fast fashion. Esse foi até hoje o pior – entre muitos outros – desastre da indústria têxtil. A partir de 2014, no dia 24 de abril de todo ano, acontece o Fashion Revolution Day. Um dia em que consumidores do mundo todo se reúnem para discutir sobre o assunto e questionar as marcas: Quem faz as minhas roupas? É bem possível que você não faça ideia de quantas mãos passaram pelas peças que você está vestindo agora e em quais condições elas trabalham. Desconfie mais ainda se a sua roupa foi confeccionada em algum país oriental – mas esse problema também acontece bastante aqui no Brasil e no mundo todo.

Fiz um gif com algumas imagens que encontrei do desastre do Rana Plaza para te dar uma noção da seriedade disso tudo:

rana plaza

 

Por que isso acontece?

Bem, se você já comprou uma peça de roupa na Forever 21 por 30 reais aqui no  Brasil, ou viajou para o exterior e se acabou nas marcas de fast fashion – como eu já fiz muitas vezes – comprando uma peça por $5, você deve ter se achado muito esperta e sortuda por conseguir uma peça por esse preço. Mas na verdade o que você está fazendo é alimentando um ciclo horrível que leva muitas fábricas a abaixarem seus preços de produção drasticamente e abrindo mão de salários justos e condições de trabalho dignos aos seus empregados.

Basicamente, é isso que acontece na prática: uma marca de fast fashion x fala para o dono da fábrica: a marca y está vendendo uma blusa por $5. Eu quero vender por $4. Se você não abaixar o preço eu vou atrás de outra fábrica que faça isso para mim. Assim, os donos pagam salários baixíssimos aos seus empregados, que trabalham muitas horas por dia e acabam tendo uma vida desumana, não conseguindo bancar nem suas necessidades básicas. Tudo isso para que você compre aquela blusinha de $5 e para que os donos das marcas lucrem rios de dinheiro em cima de você e desses trabalhadores. Mas o que vale mais para você: uma peça de roupa ou a vida de uma pessoa? 

forefer21

Como mudar essa situação?

Se você leu o post até aqui, então você já tem consciência do problema que está acontecendo. Por isso, vou citar uma frase de um filósofo e escritor parisiense, Jean-Paul Sartre: “Uma vez que sabemos e somos conscientes, somos responsáveis por nossa ação ou nossa passividade. Podemos fazer algo a respeito disso ou ignorá-lo, mas, em qualquer caso, somos responsáveis pela decisão”. Você é responsável pela roupa que você compra. Você é responsável pela morte dessas pessoas se você alimenta essa indústria. 

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É difícil falar detalhadamente sobre o assunto em um post e te fazer entender a gravidade do problema. Por isso, recomendo que você veja o documentário The True Cost, lançado esse ano. Ele está disponível no Netflix! Ainda vou fazer um post só sobre ele, porque o filme explica direitinho os maiores problemas da indústria da moda e esfrega a realidade na sua cara, de um jeito que nem tem como negar. Entre também no site do movimento para ter mais informações a respeito. Mas se você com essas informações que eu dei já sentiu aquele peso na consciência e quer ajudar a resolver isso, você só precisa seguir 2 passos:

1. Tire uma selfie com a sua roupa do avesso, mostrando a etiqueta;

2. Siga a marca da sua roupa nas redes sociais e poste a foto comentando: “Eu quero agradecer às pessoas que fizeram a minha roupa, @marca, #quemfezasminhasroupas?” – você também pode colocar as tags internacionais do movimento: #fashrev #whomademyclothes.

Com milhares de pessoas fazendo isso, principalmente no dia 24 de abril, o movimento ganha força e visualização. Saber quem faz nossas roupas é o primeiro passo para mudar a indústria da moda.

fashion revolution

O evento já acontece nas principais capitais do país. Você pode procurar o local onde acontece o encontro na sua cidade clicando aqui.

Não se esqueçam de acompanhar a tag #modaconsciente. Precisamos saber o que está acontecendo para vivermos em um mundo mais humano e justo.

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2 comentários sobre “#modaconsciente: O que é o Fashion Revolution?”

  1. Oi Ana,
    Parabéns pela matéria e pela iniciativa de ver a indústria da moda com um olhar mais humano. Isso mostra sua maturidade e valor ao se preocupar com o bem estar social de quem trabalha na confecção.
    Gostei muito, isso é um grande diferencial. Continue nesta direção.
    Beijos

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